Trama ideológica fantasiada de conto-de-fadas, “Educação” não tem nada de viveram felizes para sempre. A busca pela felicidade não é motivo para a mulher ter um companheiro – as realizações são, antes de tudo, individuais.
Ambientado na década 1960, “Educação” acompanha Jenny, uma inteligente e bela adolescente de 16 anos. Ela acredita que entrar para a universidade de Oxford pode tornar a vida mais interessante do que a atual, que se resume à escola, onde cursa o último ano do colegial, um café, para onde costuma ir com as amigas, a orquestra da escola, onde toca violoncelo, e a casa que vive com os pais, em Twickenham, no subúrbio de Londres.
A escolha do contexto não é a toa e é o primeiro aviso que temos sobre o conteúdo do longa. Os anos 60 são, historicamente, a era das revoluções. Junto de outras contestações humanistas, o feminismo vem a tona com uma força que este movimento nunca teve até então. Enquanto na escola de Jenny as garotas e os garotos têm aulas separados e a etiqueta e culinária estão no currículo das moças, as professoras presam pela lógica de que boa educação fará alunas independentes.
Há no longa, boas referências à época, deixando de lado alguns tabus da mídia atual. O racismo antissemita e contra os negros é mostrado com mais naturalidade e sem lição de moral, apenas como um conflito corriqueiro naquele contexto. Além disso, aos 16 anos a garota já é fumante e, em relação a isso e ao namoro dela com alguém pelo menos dez anos mais velho, com quem é iniciada sexualmente, não há qualquer chatice politicamente correta. Se historicamente era assim, não há porque o filme se estender em explicações moralistas.
A lição do filme é baseada nas escolhas erradas da personagem principal. Apaixonada, ela aceita, aos 17 anos, se casar com quem julga ser o homem perfeito – adulto, endinheirado e divertido, capaz de bancar viagens à Paris, aulas de violoncelo, música e livros franceses e fazê-la viver um conto-de-fadas. Desiste da escola, por julga-la inútil.
O longa considera este o erro primordial que uma mulher pode cometer: desistir de si para buscar abrigo em um homem. Desse jeito ela nunca terá autonomia e ficará vulnerável à inconsistência de uma pessoa que um dia poderá deixa-la desamparada. Isto é suicídio social. A mulher deve andar com as próprias pernas e ter paciência, pois não se conquistam grandes ambições com facilidade.
Miss Stubs, professora de inglês, que sempre apostou as fichas em Jenny, é a materialização do discurso central do filme, tomando, desnecessariamente, uma função explicativa. Desnecessário também é o letreiro que nos informa que aquela é a década de 60, já que na abertura nos é apresentado o estilo de vestir da época, garotas rodando bambolê e aprendendo à mexer em um batedor de bolo manual, tudo acompanhado pelo rock dançante. O cinema pode deixar de lado esses recursos para que o espectador fique com a função de interpretar, e exorcizar a linguagem simplista dos pipocões.
“Educação” é um panfleto feminista muito bem delineado, mas não tanto escancarado. Prega a independência feminina tanto financeira quanto ideológica, que deve ser construída a partir dos estudos e do conhecimento. Os argumentos são concisos, ilustrados pela desilusão, desamparo e pelo reerguimento de uma jovem sem a necessidade de um suporte masculino. Calcado na realidade histórica, o filme afasta a voz politicamente correta, mas ainda assim é sensível.
Li por aí que o roteiro foi adaptado pelo Nick Hornby. Quero ver! Não só pela história em si, mas também porque adoro os filmes que tem dedo do Hornby.
Mudando de assunto, você viu “Preciosa”?
Vi Preciosa sim…
Achei lindo o filme.
“Educação” eu achei mais diferente, aí resolvi comentar.
Depois eu vou fazer um post sobre todos do Oscar e meus palpites xP
Vc desistiu do Calcinhas?
Bjão!
cade as atualizações?
tem que comentar sobre alice!